Artigo 20/05/2019

O setor editorial em 2018

A partir da divulgação do relatório Produção e vendas do setor editorial brasileiro – ano base 2018, propomos uma breve reflexão sobre a atual situação deste setor. Por um lado, se é possível constatar um cenário de forte crise, por outro, é preciso pensar em ações criativas e conjuntas, que levem em conta o mercado editorial como um todo. Afinal, todo momento de crise impõe uma reavaliação crítica e, sobretudo, autocrítica. Boa leitura!

 

Gostaríamos de compartilhar algumas observações feitas a partir da leitura de Produção e vendas do setor editorial brasileiro – ano base 2018, uma publicação da CBL (Câmara Brasileira do Livro), SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O primeiro dado que chama a atenção refere-se à queda real das vendas de 4,5% que o setor sofreu, tomando por base o ano anterior, sendo que as vendas ao mercado caíram 10,1%. Por subsetores, as vendas ao mercado apresentaram as seguintes quedas: Religiosos – 2,6%; Obras Gerais – 6,8%; Didáticos – 9,1%; CTP (científicos, técnicos e profissionais) – 30,3%.

No que diz respeito à produção, o número de exemplares produzidos apresentou uma queda de 11,03% (em números absolutos, isso significa 43,37 milhões de exemplares a menos).

O mercado e os canais de comercialização

Em 2018, o mercado vendeu 202.675.390 exemplares, sendo que o livro impresso ainda responde por pouco mais de 90% das vendas. Apesar de toda a crise enfrentada pelas grandes redes, as livrarias foram responsáveis por 46,25% do total de exemplares vendidos e 50,45% do faturamento, seguidas por venda direta dos distribuidores, com 20,71% dos exemplares e 29,47% do faturamento e a tradicional e eficiente venda ‘porta a porta’, com 8,12% dos exemplares e 5,31% do faturamento.

Por outro lado, as vendas em livrarias exclusivamente virtuais foram responsáveis por 4,24% do total de exemplares comercializados e 3,41% do faturamento, e a categoria ‘Internet – market place’ vendeu 1,24% dos exemplares e 0,74% do faturamento.

Considerando as vendas do mercado, o consumo de livros no Brasil não chega a 1 livro per capita/ano. Considerando a venda total (mercado + governo), o consumo per capita/ano bate em 1,65 livros. Em final de 2004, o então presidente Lula assinou a desoneração da cadeia produtiva do livro, isentando o pagamento de PIS, Cofins e Pasep, o que corresponde a cerca de 10% do faturamento; naquela oportunidade, o consumo per capita/ano estava na casa de 1,8 livros e foi pedido aos empresários do setor que se esforçassem para que o Brasil atingisse a marca de 3 livros/ano por habitante. De lá para cá nada foi feito e, nos últimos anos, a queda tem sido acentuada, muito maior do que a queda do PIB, como demonstra a seguinte tabela:

Os didáticos

Como já foi dito, o mercado vendeu 202.675.390 exemplares; desse total, 39.503.370 exemplares de didáticos, com uma queda de 10,63% em relação a 2017.

Somando mercado e governo, foram vendidos 352.012.073 exemplares, sendo que o governo comprou 149.336.763 exemplares (42,5% do total). Desse total, somente o PNLD comprou 146.360.992 exemplares, com um aumento de 31,22% em relação a 2017. Mas há que se considerar que em 2017 o foco foi compra de Ensino Médio (a menor compra do PNLD) e em 2018 o foco foi Educação Infantil e Fundamental 1 (justamente a maior compra do PNLD).

Em termos de títulos, um dado que reflete a perda de fôlego do setor: foram 646 títulos novos, com um total de 5.642.274 exemplares, contra a reimpressão de 10.080 títulos, com um total de 169.562.271 exemplares. Em ambos os casos, queda na casa dos 10%.

Como se percebe, a cada ano os didáticos vendem menos no mercado e a dependência das vendas governamentais torna-se absoluta.

Se se confirmarem as previsões de que em 2019 o PNLD comprará apenas reposição, se persistir a atual crise das livrarias, o relatório do próximo ano escancarará o desastre total do setor livreiro. De qualquer forma, uma coisa é fato: será necessária muita criatividade para contornar a crise. As alternativas existem para o setor livreiro, tanto em novos modelos de livraria, como em diferentes caminhos na área editorial. O problema, contudo, é que tais soluções podem ser muito pontuais e localizadas regionalmente, e é premente pensar em uma solução que viabilize a cadeia do livro como um todo, enquanto mercado e cultura nacionais. É preciso encarar desafios… ou teremos todos que reinventar a roda.

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