Mário de Andrade
Artigo 09/10/2019

126 anos de Mário de Andrade

Há 126 anos, em 9 de outubro de 1893, no centro de São Paulo, nascia Mário Raul Morais de Andrade. Em um dos poemas de Lira Paulista, obra que não chegou a ver publicada, pois faleceu poucos dias depois de ter enviado os originais ao editor, em fevereiro de 1945, o autor tratava dos contraditórios de sua vida a partir dos três endereços em que viveu na cidade natal: a rua Aurora, onde nasceu e viveu a infância perdida no tempo (daí a intertextualidade com os “Meus oito anos”, de Casemiro de Abreu); o largo do Paissandu, local de formação; e a rua Lopes Chaves, endereço da maturidade. Eram espaços de sonho, de luta e de desilusão. O poema expressa bem o sentimento do “bardo mulato” em seu fim de vida, quando andava arredio, querendo ser somente um nome esquecido e ignorado de rua. Na opinião de seu amigo Sérgio Milliet, nos últimos anos, Mário, após muitas decepções, aprofundava um conflito que nele sempre existiu: levar ao limite as suas posições políticas, o que significaria romper com muitas relações, ou seguir como fora até então, o que redundava em trair o homem que desejava ser. Tratava-se de um grave dilema, o do intelectual em busca de sua integralidade. Daí porque, talvez, Mário somente se identificasse com as ruas da sua Pauliceia, tão marcadas de contradições e desgostos.

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